NINGUEM PÁRA O BENFICA
Em tempos idos, não muito distantes, tivemos no parque de campismo da Galé um Alvéolo.
Para quem não estiver muito familiarizado com a linguagem dos campistas, um Alvéolo é um contentor equipado com tudo o que há numa casa, mas em miniatura.
Estava suspenso em pilares a trinta centímetros do chão para evitar humidades, era delimitado com sebes e ajardinado com plantas, flores e relva, tinha ainda dois pinheiros, uma churrasqueira e um avançado ou seja um toldo que dava sombra á entrada e fazia de sala, esta mais grandinha do que a outra de dentro, antes de entrar no Alvéolo.
Em frente havia o estacionamento automóvel reservado ao espaço.
Era sempre muito agradável ir lá passar um fim-de-semana, ou uns dias de férias e esse prazer começava logo á saída de casa.
Em Corroios apanhávamos a estrada nacional número 10 e rodávamos nas calmas, ia-mos admirando as paisagens que se iam sucedendo.
Em Azeitão admirávamos os vinhedos do José Maria da Fonseca que em devido tempo iriam dar aquele vinho delicioso que é o “Moscatel de Setúbal” e lá íamos seguindo pela nacional 379 na direcção de Setúbal, passando pela linda Serra da Arrábida, com o Portinho lá em baixo, todo vaidoso, com os seus coloridos barquinhos atracados, que vistos cá de cima parecem de brincadeira, e as suas boas praias lá mais ao longe e toda aquele maravilhosa paisagem sobre o mar e o rio Sado com a Ilha de Tróia ao longe, expectante e acolhedora.
Em Setúbal apanhávamos o matulão do Ferry da Transado que em vinte minutos nos transportava, e aos automóveis, até ao outro lado do rio, oferecendo-nos deste modo caminho livre para irmos à descoberta desse Alentejo doirado, quente e hospitaleiro.
Esta travessia de Ferry é sempre muito interessante, no inicio até nos dá a sensação de que vamos fazer uma longa viagem, como por exemplo nos Açores entre as suas ilhas,
mas não, aqui demora só um par de minutos.
A paisagem é interessante, e à medida que nos vamos afastando do casario de Setúbal, começa-se a ver à esquerda a Setenave enquanto Tróia e as suas torres ficam cada vez mais perto.
Se tivermos um dia de sorte, poderemos ver os golfinhos brincalhões nos seus mergulhos ondulados e divertidos e isso é motivo de admiração de todos os passageiros que ficam bem-dispostos e felizes pelo acontecimento, que é, infelizmente, cada vez mais raro.
Chegados a Tróia seguimos a estrada 253, passamos pela Comporta onde começam a aparecer os primeiros arrozais e muitos ninhos de cegonhas que encontram aqui o seu habitat ideal para viverem sem necessidade de migrarem, visto terem aqui uma boa fonte de alimentação.
A estrada é boa e recta, de quando em quando lá vem um mais apressado, e nós facilitamos a ultrapassagem fazendo pisca-pisca à direita, porque como é sabido nós não temos pressa e vamos a deliciar-nos com a paisagem que agora no Carvalhal e Pinheiro da Cruz é mais verde com todos aqueles pinhais que ladeiam a estrada e pouco tempo depois lá encontramos as Fontainhas onde à nossa direita encontramos uma placa a indicar-nos “CAMPISMO,” seguimos essa direcção, e entramos numa estrada de terra mal tratada, esburacada e seis kilometros mais á frente encontramos o parque de Campismo da Galé, cujo símbolo é um leme de uma embarcação.
Vamos encontrar um parque de 32 hectares de pinhal, com muitas Residenciais, Alvéolos e espaço para tendas, caravanas e é-nos oferecida muita paz, silêncio e repouso, o ar é puro e perfumado pela seiva dos pinheiros e o sal do mar, é a combinação perfeita que a natureza soube inventar para nos fazer sentir bem naquele local paradisíaco.
Este parque está preparado para oferecer muito boas condições aos seus utentes, a saber:
Restaurante, bar com uma enorme esplanada, minimercado, peixaria, talho, pizaria, tabacaria e jornais, sala de convívio, telefone, multibanco, vigilância vinte e quatro horas, posto de socorros, vários WC que podem ser usados por deficientes, lava loiças e chuveiros com água quente e fria, lava-pés, lavagem de veículos, biblioteca, parque infantil, ténis, pingue-pongue e piscina que faz o encanto da pequenada e não só… e por fim dizer que tem acesso directo á praia que lhe deu o nome, Galé.
O clima é típico Alentejano, quente e seco pelo que um mergulho vem mesmo a calhar!
Há acesso á praia directamente do parque por uma rampa cavada nas altas, seculares e esculpidas arribas, que pela sua inclinação, serve de exercício físico a quem quiser ir refrescar-se nas águas agitadas e frias do Atlântico.
Convêm saber nadar o suficiente para enfrentar as ondas fortes que no seu vaivém deixa um branco de espuma á superfície da água azul.
Cá em cima no parque, a uma altitude de duzentos metros, só nos faltam as asas para nos sentirmos passarinhos, sentimo-nos insignificantes tal é a beleza e imponência do local, que é lindíssimo.
A paisagem é deslumbrante, se olharmos em frente vimos o Céu, o Mar e o Rei Sol em toda a imensidão que a nossa vista alcança, é normal ver-se também os nossos aviões da TAP nos seus voos para África. È um regalo para a vista e para a mente.
Se olharmos para a esquerda vimos o complexo industrial de Sines, se olharmos para a direita vimos toda a costa de Setúbal, é na verdade uma paisagem paradisíaca.
É-nos dado ainda um pôr-do-sol lindo… lindo…lindo…com o Sol a descer cada vez mais e mais rápido até que no ultimo instante dá um mergulho e desaparece, deixando por muito tempo todo o horizonte vermelho a anunciar dia lindo e quente para o dia seguinte.
Como já vimos este parque situa-se nas Fontainhas do Mar, freguesia de Melides, onde há o Restaurante do “Lourenço” em frente ao campo da bola e que serve entre outras coisa boas, uma cataplana de marisco que é de comer e lamber os dedos.
O Distrito é Setúbal, pelo que entre os campistas que mais tempos passam no parque são de Setúbal e arredores, adeptos duros do seu Victorrrrrria, outros como eu que iam de mais longe, tínhamos outras simpatias clubistas, no meu caso o Benfica.
Estávamos no dia 29 de Maio de 2005, dia da final da taça de Portugal entre o Benfica e o Victorrrrrria.
O Benfica começou a perder por um a zero e é nessa altura que um puto de bicicleta começa às voltas ao parque e a gritar alto e bom som: “NINGUEM PÁRA O BENFICA,” NINGUEM PÁRA O BENFICA,” NINGUEM PÁRA O BENFICA.”
Não sei se o Benfica empatou ou se esteve a perder dois a zero, o que eu sei é que o resultado final foi dois a um a favor do Victorrrrrria, e o que eu sei também é que com o Benfica a ”levar nas lonas” o puto não deixava de dar voltas ao parque e repetir a mesma lengalenga “NINGUEM PÁRA O BENFICA,” NINGUEM PÁRA O BENFICA,” NINGUEM PÁRA O BENFICA,” o que á primeira vista não tinha lógica nenhuma, mas depois de decifrar a mensagem, ela só poderia vir dos “carrrrrrapaus ou charrrrrrocos” como eles eram conhecidos, que para chatear os Benfiquistas pediram ao puto para fazer aquela gracinha e cumpriu-a na perfeição, não só pelas muitas voltas que deu ao parque, pela gritaria que fazia, pela sua inocência e sobretudo porque alguns adeptos do Benfica sentiram a mensagem, não foi o meu caso porque sou acima de tudo um desportista e não sou doentinho.
Do outro lado o Victorrrrrria, o puto e os charrrrrroucos tiveram o seu dia de glória.
Mário Miranda
Em tempos idos, não muito distantes, tivemos no parque de campismo da Galé um Alvéolo.
Para quem não estiver muito familiarizado com a linguagem dos campistas, um Alvéolo é um contentor equipado com tudo o que há numa casa, mas em miniatura.
Estava suspenso em pilares a trinta centímetros do chão para evitar humidades, era delimitado com sebes e ajardinado com plantas, flores e relva, tinha ainda dois pinheiros, uma churrasqueira e um avançado ou seja um toldo que dava sombra á entrada e fazia de sala, esta mais grandinha do que a outra de dentro, antes de entrar no Alvéolo.
Em frente havia o estacionamento automóvel reservado ao espaço.
Era sempre muito agradável ir lá passar um fim-de-semana, ou uns dias de férias e esse prazer começava logo á saída de casa.
Em Corroios apanhávamos a estrada nacional número 10 e rodávamos nas calmas, ia-mos admirando as paisagens que se iam sucedendo.
Em Azeitão admirávamos os vinhedos do José Maria da Fonseca que em devido tempo iriam dar aquele vinho delicioso que é o “Moscatel de Setúbal” e lá íamos seguindo pela nacional 379 na direcção de Setúbal, passando pela linda Serra da Arrábida, com o Portinho lá em baixo, todo vaidoso, com os seus coloridos barquinhos atracados, que vistos cá de cima parecem de brincadeira, e as suas boas praias lá mais ao longe e toda aquele maravilhosa paisagem sobre o mar e o rio Sado com a Ilha de Tróia ao longe, expectante e acolhedora.
Em Setúbal apanhávamos o matulão do Ferry da Transado que em vinte minutos nos transportava, e aos automóveis, até ao outro lado do rio, oferecendo-nos deste modo caminho livre para irmos à descoberta desse Alentejo doirado, quente e hospitaleiro.
Esta travessia de Ferry é sempre muito interessante, no inicio até nos dá a sensação de que vamos fazer uma longa viagem, como por exemplo nos Açores entre as suas ilhas,
mas não, aqui demora só um par de minutos.
A paisagem é interessante, e à medida que nos vamos afastando do casario de Setúbal, começa-se a ver à esquerda a Setenave enquanto Tróia e as suas torres ficam cada vez mais perto.
Se tivermos um dia de sorte, poderemos ver os golfinhos brincalhões nos seus mergulhos ondulados e divertidos e isso é motivo de admiração de todos os passageiros que ficam bem-dispostos e felizes pelo acontecimento, que é, infelizmente, cada vez mais raro.
Chegados a Tróia seguimos a estrada 253, passamos pela Comporta onde começam a aparecer os primeiros arrozais e muitos ninhos de cegonhas que encontram aqui o seu habitat ideal para viverem sem necessidade de migrarem, visto terem aqui uma boa fonte de alimentação.
A estrada é boa e recta, de quando em quando lá vem um mais apressado, e nós facilitamos a ultrapassagem fazendo pisca-pisca à direita, porque como é sabido nós não temos pressa e vamos a deliciar-nos com a paisagem que agora no Carvalhal e Pinheiro da Cruz é mais verde com todos aqueles pinhais que ladeiam a estrada e pouco tempo depois lá encontramos as Fontainhas onde à nossa direita encontramos uma placa a indicar-nos “CAMPISMO,” seguimos essa direcção, e entramos numa estrada de terra mal tratada, esburacada e seis kilometros mais á frente encontramos o parque de Campismo da Galé, cujo símbolo é um leme de uma embarcação.
Vamos encontrar um parque de 32 hectares de pinhal, com muitas Residenciais, Alvéolos e espaço para tendas, caravanas e é-nos oferecida muita paz, silêncio e repouso, o ar é puro e perfumado pela seiva dos pinheiros e o sal do mar, é a combinação perfeita que a natureza soube inventar para nos fazer sentir bem naquele local paradisíaco.
Este parque está preparado para oferecer muito boas condições aos seus utentes, a saber:
Restaurante, bar com uma enorme esplanada, minimercado, peixaria, talho, pizaria, tabacaria e jornais, sala de convívio, telefone, multibanco, vigilância vinte e quatro horas, posto de socorros, vários WC que podem ser usados por deficientes, lava loiças e chuveiros com água quente e fria, lava-pés, lavagem de veículos, biblioteca, parque infantil, ténis, pingue-pongue e piscina que faz o encanto da pequenada e não só… e por fim dizer que tem acesso directo á praia que lhe deu o nome, Galé.
O clima é típico Alentejano, quente e seco pelo que um mergulho vem mesmo a calhar!
Há acesso á praia directamente do parque por uma rampa cavada nas altas, seculares e esculpidas arribas, que pela sua inclinação, serve de exercício físico a quem quiser ir refrescar-se nas águas agitadas e frias do Atlântico.
Convêm saber nadar o suficiente para enfrentar as ondas fortes que no seu vaivém deixa um branco de espuma á superfície da água azul.
Cá em cima no parque, a uma altitude de duzentos metros, só nos faltam as asas para nos sentirmos passarinhos, sentimo-nos insignificantes tal é a beleza e imponência do local, que é lindíssimo.
A paisagem é deslumbrante, se olharmos em frente vimos o Céu, o Mar e o Rei Sol em toda a imensidão que a nossa vista alcança, é normal ver-se também os nossos aviões da TAP nos seus voos para África. È um regalo para a vista e para a mente.
Se olharmos para a esquerda vimos o complexo industrial de Sines, se olharmos para a direita vimos toda a costa de Setúbal, é na verdade uma paisagem paradisíaca.
É-nos dado ainda um pôr-do-sol lindo… lindo…lindo…com o Sol a descer cada vez mais e mais rápido até que no ultimo instante dá um mergulho e desaparece, deixando por muito tempo todo o horizonte vermelho a anunciar dia lindo e quente para o dia seguinte.
Como já vimos este parque situa-se nas Fontainhas do Mar, freguesia de Melides, onde há o Restaurante do “Lourenço” em frente ao campo da bola e que serve entre outras coisa boas, uma cataplana de marisco que é de comer e lamber os dedos.
O Distrito é Setúbal, pelo que entre os campistas que mais tempos passam no parque são de Setúbal e arredores, adeptos duros do seu Victorrrrrria, outros como eu que iam de mais longe, tínhamos outras simpatias clubistas, no meu caso o Benfica.
Estávamos no dia 29 de Maio de 2005, dia da final da taça de Portugal entre o Benfica e o Victorrrrrria.
O Benfica começou a perder por um a zero e é nessa altura que um puto de bicicleta começa às voltas ao parque e a gritar alto e bom som: “NINGUEM PÁRA O BENFICA,” NINGUEM PÁRA O BENFICA,” NINGUEM PÁRA O BENFICA.”
Não sei se o Benfica empatou ou se esteve a perder dois a zero, o que eu sei é que o resultado final foi dois a um a favor do Victorrrrrria, e o que eu sei também é que com o Benfica a ”levar nas lonas” o puto não deixava de dar voltas ao parque e repetir a mesma lengalenga “NINGUEM PÁRA O BENFICA,” NINGUEM PÁRA O BENFICA,” NINGUEM PÁRA O BENFICA,” o que á primeira vista não tinha lógica nenhuma, mas depois de decifrar a mensagem, ela só poderia vir dos “carrrrrrapaus ou charrrrrrocos” como eles eram conhecidos, que para chatear os Benfiquistas pediram ao puto para fazer aquela gracinha e cumpriu-a na perfeição, não só pelas muitas voltas que deu ao parque, pela gritaria que fazia, pela sua inocência e sobretudo porque alguns adeptos do Benfica sentiram a mensagem, não foi o meu caso porque sou acima de tudo um desportista e não sou doentinho.
Do outro lado o Victorrrrrria, o puto e os charrrrrroucos tiveram o seu dia de glória.
Mário Miranda

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