EM NOITE DE LUA CHEIA
No sítio de Alagoinha povoado situado e pertencente à freguesia de Altura, estância
balnear muito conhecida pela sua bela praia de Alagoa que rivaliza com a
famosíssima praia da Manta-Rota, havia um indivíduo de nome José Marques dos Reis
conhecido no meio onde vivia pela alcunha de “ ZÉ MAU “ pelo facto de ter atingido a
tiro de caçadeira ( carregada de sal ) um seu vizinho que lhe tentara roubar melões, que
o “ ZÉ MAU “ era produtor exímio.
Contava-se que eram os melhores melões do Algarve e arredores!..
Enquanto regularmente se falava que roubaram os melões de fulano e de sicrano o “ ZÈ MAU “ vangloriava-se que nos melões dele ninguém tocava.
Ai daquele que se atrevesse, lá estava a espingarda carregada de sal para lhe temperar os fígados!..
Como não há “ BELA SEM SENÂO “, existiam também dois irmãos, o Zé Diogo e o João Diogo que eram conhecidos pelos irmãos “ METRALHAS, “ com fama de destemidos e temidos por grande parte das populações nativas e também vizinhas…
Os metralhas fartos de ouvir as gabarolices do “ ZÉ MAU “ pensaram engendrar maneira de lhe comerem os melões até dentro da cabana que este tinha construído sob um albricoqueiro, onde pernoitava com a sua caçadeira ao lado.
Ora, imaginaram e concretizaram o seguinte plano:
Arranjaram dois fios de nylon invisíveis, suficientemente grandes, com dois anzóis, um em cada extremidade do fio, que se estendia do meloal até fora do velho muro, que já se desmoronava com as intempéries dos anos e que limitava o meloal com a estrada camarária; o fio seguiria de trás do muro até à tenda do “ZÈ MAU “ onde se iriam fixar os anzóis, um a cada canto da manta com que o “ ZÈ MAU “ se cobria quando a noite começasse a arrefecer.
Assim foi:
Aproveitando os escassos minutos que o “ZÈ MAU” ia a casa jantar, os “ METRALHAS “ vão ao meloal, estendem cuidadosamente os fios desde o velho muro até à cabana, engatam os anzóis na manta conforme planeado e está tudo pronto para mais logo se brincar o jogo do tapete voador fantasma.
Os irmãos “ METRALHAS “ ficaram em vigia ao “ ZÈ MAU “ que por volta das vinte e duas horas reaparece, dá uma volta pelo meloal para ver se está tudo em ordem e vai sentar-se á porta da cabana.
Já os “ METRALHAS “desesperavam, quando por volta da meia-noite o “ ZÈ MAU” resolve recolher aos aposentos.
Daí por meia hora enfia-se debaixo da manta.
Estava uma noite linda de verão com um luar de Lua cheia que permitia aos “ METRALHAS “ vislumbrarem tudo e quando acharam que o “ ZÈ MAU “ estaria a adormecer, cá vai disto!..
De cada ponta do fio de nylon começam a puxar a manta.
O “ ZÈ MAU “ sentindo a falta da manta joga a mão e puxa a manta.
Alguns instantes depois, nova tentativa, mais um puxãozinho.
Aí o “ ZÈ MAU “ desconfiou e sentou-se na cama.
O silêncio é absoluto, de paz, só se ouvem ao longe uns quantos grilos no seu característico som; na cabeça do “ZÈ MAU” vai uma grande confusão e como nada de suspeito acontece o “ ZÈ MAU “ volta a deitar-se.
De novo entram os “ METRALHAS em acção e puxam a manta devagarinho mas continuadamente.
O “ ZÈ MAU “ num salto fica de pé a ver a manta deslizar sobre os melões qual tapete voador.
Pega na espingarda e pimba…dois tiros na manta, que impávida e serena continuou o seu caminho, flutuando por cima dos melões.
O Zé que nesta altura já não era mau, era só medroso, vendo isto, joga fora a espingarda e toca a correr para o povoado onde ainda encontrou três retardatários que conversavam sentados num muro.
Quando o ZÈ chegou se lhe pusessem uma mão na boca rebentava, tal foi a correria a fugir do inofensivo tapete voador…
Depois de contar o sucedido abalaram os quatro para o meloal e o que encontraram foi:
A espingarda pendurada no Albricoqueiro e a cama do Zé cheia de melões, uns cortados, outros inteiros e cascas por todo o lado dos melões que os “ METRALHAS” comeram.
E foi assim que terminaram as fanfarronices do “ZÈ MAU “, que ao longo da história não foi sempre mau, também foi medroso.
Venâncio Rosa
No sítio de Alagoinha povoado situado e pertencente à freguesia de Altura, estância
balnear muito conhecida pela sua bela praia de Alagoa que rivaliza com a
famosíssima praia da Manta-Rota, havia um indivíduo de nome José Marques dos Reis
conhecido no meio onde vivia pela alcunha de “ ZÉ MAU “ pelo facto de ter atingido a
tiro de caçadeira ( carregada de sal ) um seu vizinho que lhe tentara roubar melões, que
o “ ZÉ MAU “ era produtor exímio.
Contava-se que eram os melhores melões do Algarve e arredores!..
Enquanto regularmente se falava que roubaram os melões de fulano e de sicrano o “ ZÈ MAU “ vangloriava-se que nos melões dele ninguém tocava.
Ai daquele que se atrevesse, lá estava a espingarda carregada de sal para lhe temperar os fígados!..
Como não há “ BELA SEM SENÂO “, existiam também dois irmãos, o Zé Diogo e o João Diogo que eram conhecidos pelos irmãos “ METRALHAS, “ com fama de destemidos e temidos por grande parte das populações nativas e também vizinhas…
Os metralhas fartos de ouvir as gabarolices do “ ZÉ MAU “ pensaram engendrar maneira de lhe comerem os melões até dentro da cabana que este tinha construído sob um albricoqueiro, onde pernoitava com a sua caçadeira ao lado.
Ora, imaginaram e concretizaram o seguinte plano:
Arranjaram dois fios de nylon invisíveis, suficientemente grandes, com dois anzóis, um em cada extremidade do fio, que se estendia do meloal até fora do velho muro, que já se desmoronava com as intempéries dos anos e que limitava o meloal com a estrada camarária; o fio seguiria de trás do muro até à tenda do “ZÈ MAU “ onde se iriam fixar os anzóis, um a cada canto da manta com que o “ ZÈ MAU “ se cobria quando a noite começasse a arrefecer.
Assim foi:
Aproveitando os escassos minutos que o “ZÈ MAU” ia a casa jantar, os “ METRALHAS “ vão ao meloal, estendem cuidadosamente os fios desde o velho muro até à cabana, engatam os anzóis na manta conforme planeado e está tudo pronto para mais logo se brincar o jogo do tapete voador fantasma.
Os irmãos “ METRALHAS “ ficaram em vigia ao “ ZÈ MAU “ que por volta das vinte e duas horas reaparece, dá uma volta pelo meloal para ver se está tudo em ordem e vai sentar-se á porta da cabana.
Já os “ METRALHAS “desesperavam, quando por volta da meia-noite o “ ZÈ MAU” resolve recolher aos aposentos.
Daí por meia hora enfia-se debaixo da manta.
Estava uma noite linda de verão com um luar de Lua cheia que permitia aos “ METRALHAS “ vislumbrarem tudo e quando acharam que o “ ZÈ MAU “ estaria a adormecer, cá vai disto!..
De cada ponta do fio de nylon começam a puxar a manta.
O “ ZÈ MAU “ sentindo a falta da manta joga a mão e puxa a manta.
Alguns instantes depois, nova tentativa, mais um puxãozinho.
Aí o “ ZÈ MAU “ desconfiou e sentou-se na cama.
O silêncio é absoluto, de paz, só se ouvem ao longe uns quantos grilos no seu característico som; na cabeça do “ZÈ MAU” vai uma grande confusão e como nada de suspeito acontece o “ ZÈ MAU “ volta a deitar-se.
De novo entram os “ METRALHAS em acção e puxam a manta devagarinho mas continuadamente.
O “ ZÈ MAU “ num salto fica de pé a ver a manta deslizar sobre os melões qual tapete voador.
Pega na espingarda e pimba…dois tiros na manta, que impávida e serena continuou o seu caminho, flutuando por cima dos melões.
O Zé que nesta altura já não era mau, era só medroso, vendo isto, joga fora a espingarda e toca a correr para o povoado onde ainda encontrou três retardatários que conversavam sentados num muro.
Quando o ZÈ chegou se lhe pusessem uma mão na boca rebentava, tal foi a correria a fugir do inofensivo tapete voador…
Depois de contar o sucedido abalaram os quatro para o meloal e o que encontraram foi:
A espingarda pendurada no Albricoqueiro e a cama do Zé cheia de melões, uns cortados, outros inteiros e cascas por todo o lado dos melões que os “ METRALHAS” comeram.
E foi assim que terminaram as fanfarronices do “ZÈ MAU “, que ao longo da história não foi sempre mau, também foi medroso.
Venâncio Rosa
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