QUE "GANDAS" MALUCOS!!!

Éramos cinco.

O Mário Mendes, acordeonista de meia tigela, mais conhecido pelo “ Cantinflas.“

Éramos amigos da farra, ele morava com a família na Junqueira, povoação pertencente ao concelho de Castro Marim, aldeia muito querida por muito ser eu querido entre as raparigas do povoado que me disputavam em namorico, chegando ao ponto de se engalfinharem e arrepelarem os cabelos até se rebolarem no chão a ponto de Amigos comuns as terem de separar.

Era uma alegria!..

O Joaquim Anacleto e o Victor Serina eram figuras inseparáveis de Mário Mendes e também moravam na Junqueira.

O João da Quinta era nosso Amigo comum e morava em Almada D’ Ouro, povoação ribeirinha do Rio Guadiana e pertencente à freguesia do Azinhal.

Este era sobrinho do Ti João, dono de uma taberna no povoado e que contratou o nosso Amigo “ Cantinflas “ para lá ir abrilhantar um baile.

O nosso Amigo acordeonista nunca gostava de andar sozinho e convidou os seus Amigos para lhe servirem de guarda - costas e eu entrei no grupo por esse motivo.

Acontece que nessa tarde, antes do baile, um automóvel atropelou uma galinha da Mãe do Joaquim Anacleto que de imediato decidiu levar a atropelada para a mandar cozinhar na taberna onde se ia realizar o baile e serviria na perfeição para o nosso jantar.

Chegados a Almada D’ Ouro, surpresa das surpresas, tínhamos uma galinha de cabidela para o nosso jantar.

Diz logo o “ Cantinflas:

– “ E nós trazemos ali outra, fica para a ceia, pode ser guisada com batatas. “

Terminado o jantar por volta das 21h30m, bem comidos e melhor regados com o respectivo “ palhinhas “ começa o baile, mas o nosso Amigo acordeonista estava mais interessado no que se passava na cozinha, onde o galináceo já estava a ser cozinhado e o refogado cheirava que era um regalo e por isso ficava mais tempo parado do que a tocar, de tal modo que as raparigas se chatearam, foram embora e à meia-noite o baile estava acabado.

Assim, só faltava acabar com a galinha que entretanto já estava pronta, assim como despachar outro “ palhinhas. “

Terminada a ceia é lançada uma proposta:

– “ E se fossemos fazer uma serenata às moças? “

A proposta foi de imediato aceite, o que era preciso era farra e lá partimos rua abaixo

à procura de diversão.

– “ O João da Quinta sabe onde elas moram. “

Na primeira serenata tivemos direito a palmas e tudo, mas nas seguintes… além de outros protestos, até levámos com copos de água cabeça abaixo.

Entretanto quando íamos continuar e porque o “ palhinhas “já fazia os seus efeitos, demos por falta do João da Quinta, que como foi dito anteriormente, era o nosso guia.

Foi de imediato desencadeada uma acção de procura e simultaneamente no grupo faziam-se as mais variadas conjecturas acerca do seu desaparecimento.

As buscas decorreram sem êxito e depois de voltarmos ao local onde demos pelo seu desaparecimento, volvidos longos minutos, aparece o nosso herói com uma galinha debaixo do casaco.

Terminou ali a serenata porque o Amigo “ Cantinflas “ disse logo:

– “ Vamos mamá-la já “

Até parecia que estava esfomeado!..

Dito e feito, voltámos a casa do Ti João que estava nos preparativos para fechar a taberna e ir dormir porque já eram boas horas para o fazer.

Quando chegámos a casa do Ti João …

– “ Oh… Ti João se não fosse abuso queríamos comer esta ainda hoje.

A coitada da D.Josefa, esposa do Ti João, já saturada de tanto depenar e cozinhar galinhas, começou a barafustar.

– “ Vocês não têm fome nenhuma, deixem isso para amanhã. “

Mas no outro dia já era tarde, tinha de ser já e o Ti João lá pediu à Santa e paciente mulher para fazer isso para os moços, que um dia não são dias e atrás deste outros dias virão onde poderemos recuperar o esforço deste dia agitado.

E a boa da D. Josefa lá aceitou cozinhar mais uma galinha.

– “ Oh… D. Josefa, desta vez pode ser fritinha. “

E nós o que fazemos enquanto esperamos?

Sai logo uma sugestão do Victor Serina:

– “ Vamos dar um mergulho no Rio Guadiana. “

E lá vamos nós todos atrás dele a caminho do Rio.

Já no Rio, estávamos todos tão entretidos com a brincadeira, quando se ouve uma voz grave e de comando:

– “ Ninguém se mexe. “

Era a Guarda-fiscal que patrulhava o Rio por causa do contrabando.

– “ Todos para o Posto.”

E lá vamos nós todos para o Posto da Guarda Fiscal.

A nossa sorte foi que o João da Quinta era conhecido de um dos Guardas e após algumas perguntas e respostas lá nos libertaram já o dia amanhecia.

Regressados á taberna do Ti João já a terceira galinha estava pronta.

Acabámos de devorar o terceiro manjar da noite já o Sol tinha nascido.

Fizemos as contas com o porreirinho do Ti João e lá vamos nós estrada fora a caminho do trabalho porque o patrão esperáva-nos.

As condições para o executar é que não eram as melhores para um dia de trabalho rentável, mas a juventude era assim, que se há-de fazer?

Esperar que a adolescência dê lugar a adulto.

É bom não esquecer que galinha nessa época era almoço de festas, só usado em aniversários, Casamentos, Páscoa e outros festins igualmente importantes.

Venâncio Rosa



                                          Foi aqui (mais ou menos), o nosso banho nocturno.

Comentários

  1. Olá Pai. Boa muito boa, agora percebo porque ainda hoje se come ai em casa galinha ao Domingo.
    Noémia Rosa

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  2. Já agora gostaria de saber qual a decada em que a estória aconteceu ( se não for ficção). De facto indaguei alguns nomes mas outros não os encontrei... Estórias de galimhas e bailes há imensas e todas muitointeressantes... Se puder responder, obrigado
    Fagundes

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