UMA VIAGEM A LOUROSA
Dias antes do inicio da viagem já estou contagiado pela febre do viajante. Esta febre existe na realidade e os seus sintomas são: Ficarmos possuídos de uma incontida ansiedade e é típico não se dormir na noite anterior.
Chegada a hora de começar a viagem há que estar atento ao trânsito que é intenso, como sempre aqui na Cidade das sete colinas, e ir conduzindo calmamente, bem – disposto, na companhia da antena um, e ir absorvendo toda aquela enxurrada de útil informação, que nos oferecem sem cansaço.
Mais ou menos quatro horas são o tempo que nos separa desde a margem Sul do nosso longo, largo e lindo Rio Tejo, até Lourosa, essa Aldeia quase Serrana, de ruas empedradas e estreitinhas, de casas com paredes de grandes blocos de granito, e que eu chamo de minha Terra de acolhimento.
Situada entre S. Pedro do Sul e a Serra da Gralheira, em Lourosa fala-se um Português próprio daquela zona semi-Serrana, respira-se um ar puro e perfumado pelas flores silvestres que campeiam por todo o lado, bebe-se água pura e fresquinha no fontanário público, vinda das entranhas da Serra, que nos espreita lá de cima da sua imponente Altura de mil metros. Há bom e puro mel, boas gentes ainda com o velho e louvável acto de partilhar o que têm e onde ainda se bebe um copo desse delicioso, perfumado e espumoso vinho americano de fabrico artesanal. Hhhuuummm… que delícia!..
Á medida que vamos papando kilometros, vamos deixando para trás a imponente Ponte sobre o Tejo, a nossa multifacetada Capital, o aeroporto. Este com o seu imenso tráfego aéreo proporciona-nos variadíssimas vezes, quando viajamos no Eixo Norte – Sul, ser-mos sobrevoados por um “ pássaro aéreo “ como diria o Tarzan, o que é sempre um acontecimento muito agradável de observar, em principio porque gostamos muito de os ver voar, depois porque estão tão pertinho de nós que quase podemos apanha-los com a mão, e dá também para ver a sua imponência, envergadura, beleza e colorido.
Para que uma longa viagem seja agradável, é fundamental ter uma boa companhia.
Ela está garantida com a presença da Rádio e da cara-metade com quem vou conversando, até porque as circunstancias a isso convidam, não dá para ir ao Café beber a bica e deixa-la a fazer o almoço, não estamos no interior da casa, estamos no interior do “ Francês.”
Aqui e agora há que manter a presença física e conversar, conversar, conversar, como fizeram aqueles Italianos que naufragaram quando iam de Itália para a América, não sabiam nadar e mesmo assim conseguiram chegar a uma praia. Quando lhes perguntaram como o tinham conseguido disseram simplesmente: “ Oh, viemos conversando, conversando, conversando…
É também isso que fazemos, conversar, passando em revista as nossas preocupações e as do País e tentando arranjar-lhe remédio para uma cura radical.
“ Que a justiça está uma injustiça “ e a solução seria alterar a lei do flagrante delito e também medidas bem duras e severas para dissuadir os fora da lei.
“ Que a nova lei do arrendamento, prometida no reinado do Rei Barroso, badalada nos tempos idos do Eng. Guterres, ainda não foi aprovada, com prejuízos para os Senhorios, que vêm as suas propriedades ocupadas por inquilinos que não pagam a renda, não são despejados e quando o são o processo arrasta-se por longos, longos anos nos tribunais. E a solução seria: Simplesmente copiar a lei Espanhola ou Alemã onde o Senhorio, com justa causa pode despejar o inquilino no prazo de quinze dias. Simples não é!..
“ A lei que vai permitir o casamento entre pessoas do mesmo género “ está também na berra… Faria todo o sentido num sitio onde se vive-se num mar de rosas coloridas e perfumadas, o que francamente acho não ser o nosso caso Não tenho nada a perder nem a ganhar com semelhante coisa, mas, fará sentido esta preocupação e empenho do governo, quando há outros e mais sérios problemas que afectam directamente o povo.
Eis alguns exemplos:
Corrupção.
Desemprego como nunca se viu.
As esperas nas urgências dos Hospitais.
A insegurança.
As conversas são como as cerejas e como nem tudo o que foi falado foi aqui transcrito, já não vimos aviões, já passamos Aveiras, já deixamos para trás Fátima e os Pastorinhos e estamos em Leiria.
Em Leiria já começa a cheirar a Norte, a partir daqui a temperatura começa a baixar, há mais humidade e os Pinheiros, eucaliptos, vinhedos e outras plantas de cor verdes e que ladeiam as margens da auto-estrada indicam-nos que chove aqui com frequência, e como onde chove mais há mais riqueza, o dinheiro mora aqui!..
Há até uma máxima que diz:
Em Braga reza-se, no Porto trabalha-se, em Coimbra estuda-se, em Leiria chove e em Lisboa gasta-se o dinheiro…
A viagem vai viajando, já passamos Pombal e estamos a entrar em Coimbra.
Coimbra a terceira maior Cidade de Portugal onde mora o fado romântico e intelectual. Quando o oiço levantam-se-me os pêlos dos braços e não é do frio… é de gostar.
Coimbra terra de estudantes, com a sua velha Universidade desde 1307 e até 1911 a única em Portugal
Coimbra do Choupal e do Mondego, fonte de inspiração a cancioneiros, poetas e amores. Quem sabe se o amor proibido entre Inês de Castro e D. Pedro não foi invenção deste duo.
Coimbra terra de romances, segredos, mistérios, histórias e imaginários que fazem dela o que ela é, uma simpática, romântica e mítica Cidade. Eu adoro-a.
É tempo de fazer uma pausa para descontrair, encher os pulmões de ar que já se nota muito mais puro, beber uma bica para abrir o olho, porque a IP3 é estreitinha e há que estar atento.
Reiniciamos a nossa viagem e notamos com agrado que os automobilistas estão mais calmos. Não se vê tanto aquela agressividade de há uns tempos atrás em que o condutor que nos seguia, numa manifesta falta de tudo, se colava a nós nos disparava os máximos, como que a dizer “ desaparece da frente, quero passar mesmo que estivéssemos a cumprir o limite de velocidade ou a fazer uma ultrapassagem perfeita.
Já deixamos para trás Souselas e estamos na imponente Barragem da Aguieira, no Concelho se Penacova. Estamos bem dentro de uma zona de grande beleza natural.
A água dá sempre um toque mágico de beleza na paisagem e o majestoso lago pintado de azul pela sua água cristalina, enchem-nos os olhos de beleza. Aqui é possível pescar, fazer desportos Náuticos e naturalmente, nadar. O seu jardim está impecavelmente limpo e nas muitas árvores viçosas e jovens, esvoaçam piscos e verdelhões.
Seguimos a nossa viagem com enorme prazer. Aqui as paisagens são exuberantes e os nossos olhos estão extasiados com tanta beleza.
Chegamos a Tondela e aproveitamos para fazer uma visita aos Oleiros de Molelos. Estamos na terra do barro negro, sendo também as suas peças de igual cor, que é obtida através de um processo de cosedura redutora que permite obter barro de cor negro. Vale a pena uma visita e ver ao vivo os artesãos nas suas artes criativas. Há várias oficinas que são de fácil identificação. Ah, e já agora comprem uma peça porque são muito bonitas.
Deixamos Molelos com a arte dos artesãos ainda na mente e seguimos na direcção de Caparrosa, andamos uma meia hora e estamos a chegar a Vouzela com a Senhora do Castelo bem lá no cimo a dar-nos as Boas-vindas, descemos em direcção às Termas de S. Pedro do Sul com as suas águas milagreiras, o seu rio Vouga e as suas paisagens deslumbrantes de serras, encostas e vales, flores de trevo, orquídeas da montanha, papoilas, lírios do monte, giestas, mimosas, pinheiros, castanheiros e eucaliptos, tudo formando um colorido com predominação verde, próprio de climas de montanha.
Estamos quase em casa. Das Termas a S. Pedro do Sul é um salto de canguru e de S. Pedro a Lourosa a distância é sensivelmente igual.
A paisagem, essa continua a ser de uma beleza extraordinária, com destaque para quando saímos de S. Pedro para Lourosa, olhando para o lado direito. Lá estão de novo os vales, os pinhais, os terrenos cultivados com as suas plantações viçosas e o imenso casario disperso pela paisagem, mas a dominá-la, formando um quadro perfeito que só Miguel Ângelo ou a Mãe Natureza poderiam pintar com tanta perfeição e beleza.
Já se avistam as imponentes Serras de S. Macário, da Arada e da Gralheira, estamos quase a chegar ao nosso destino, a Lourosa, a terra que não me viu nascer, mas é minha por eleição.
Chegamos finalmente a Lourosa, o horário foi cumprido, o “Francês “portou-se á altura das exigências a viagem foi perfeita, outra coisa não seria de esperar dada a simpática companhia, da Rádio, da cara-metade e também da vossa.
Espero que tenham desfrutado tanto quanto eu desfrutei e que numa próxima oportunidade dêem cá um saltinho porque os Beirões sabem receber bem os seus turistas.
Eu prometo voltar para vos dar conta de outros passeios, estes já cá pela Serra e arredores como por exemplo S. Macário, Mizarela, Pedras parideiras, Aldeia da Pena, Fujaco e outros que aconteçam.
Dias antes do inicio da viagem já estou contagiado pela febre do viajante. Esta febre existe na realidade e os seus sintomas são: Ficarmos possuídos de uma incontida ansiedade e é típico não se dormir na noite anterior.
Chegada a hora de começar a viagem há que estar atento ao trânsito que é intenso, como sempre aqui na Cidade das sete colinas, e ir conduzindo calmamente, bem – disposto, na companhia da antena um, e ir absorvendo toda aquela enxurrada de útil informação, que nos oferecem sem cansaço.
Mais ou menos quatro horas são o tempo que nos separa desde a margem Sul do nosso longo, largo e lindo Rio Tejo, até Lourosa, essa Aldeia quase Serrana, de ruas empedradas e estreitinhas, de casas com paredes de grandes blocos de granito, e que eu chamo de minha Terra de acolhimento.
Situada entre S. Pedro do Sul e a Serra da Gralheira, em Lourosa fala-se um Português próprio daquela zona semi-Serrana, respira-se um ar puro e perfumado pelas flores silvestres que campeiam por todo o lado, bebe-se água pura e fresquinha no fontanário público, vinda das entranhas da Serra, que nos espreita lá de cima da sua imponente Altura de mil metros. Há bom e puro mel, boas gentes ainda com o velho e louvável acto de partilhar o que têm e onde ainda se bebe um copo desse delicioso, perfumado e espumoso vinho americano de fabrico artesanal. Hhhuuummm… que delícia!..
Á medida que vamos papando kilometros, vamos deixando para trás a imponente Ponte sobre o Tejo, a nossa multifacetada Capital, o aeroporto. Este com o seu imenso tráfego aéreo proporciona-nos variadíssimas vezes, quando viajamos no Eixo Norte – Sul, ser-mos sobrevoados por um “ pássaro aéreo “ como diria o Tarzan, o que é sempre um acontecimento muito agradável de observar, em principio porque gostamos muito de os ver voar, depois porque estão tão pertinho de nós que quase podemos apanha-los com a mão, e dá também para ver a sua imponência, envergadura, beleza e colorido.
Para que uma longa viagem seja agradável, é fundamental ter uma boa companhia.
Ela está garantida com a presença da Rádio e da cara-metade com quem vou conversando, até porque as circunstancias a isso convidam, não dá para ir ao Café beber a bica e deixa-la a fazer o almoço, não estamos no interior da casa, estamos no interior do “ Francês.”
Aqui e agora há que manter a presença física e conversar, conversar, conversar, como fizeram aqueles Italianos que naufragaram quando iam de Itália para a América, não sabiam nadar e mesmo assim conseguiram chegar a uma praia. Quando lhes perguntaram como o tinham conseguido disseram simplesmente: “ Oh, viemos conversando, conversando, conversando…
É também isso que fazemos, conversar, passando em revista as nossas preocupações e as do País e tentando arranjar-lhe remédio para uma cura radical.
“ Que a justiça está uma injustiça “ e a solução seria alterar a lei do flagrante delito e também medidas bem duras e severas para dissuadir os fora da lei.
“ Que a nova lei do arrendamento, prometida no reinado do Rei Barroso, badalada nos tempos idos do Eng. Guterres, ainda não foi aprovada, com prejuízos para os Senhorios, que vêm as suas propriedades ocupadas por inquilinos que não pagam a renda, não são despejados e quando o são o processo arrasta-se por longos, longos anos nos tribunais. E a solução seria: Simplesmente copiar a lei Espanhola ou Alemã onde o Senhorio, com justa causa pode despejar o inquilino no prazo de quinze dias. Simples não é!..
“ A lei que vai permitir o casamento entre pessoas do mesmo género “ está também na berra… Faria todo o sentido num sitio onde se vive-se num mar de rosas coloridas e perfumadas, o que francamente acho não ser o nosso caso Não tenho nada a perder nem a ganhar com semelhante coisa, mas, fará sentido esta preocupação e empenho do governo, quando há outros e mais sérios problemas que afectam directamente o povo.
Eis alguns exemplos:
Corrupção.
Desemprego como nunca se viu.
As esperas nas urgências dos Hospitais.
A insegurança.
As conversas são como as cerejas e como nem tudo o que foi falado foi aqui transcrito, já não vimos aviões, já passamos Aveiras, já deixamos para trás Fátima e os Pastorinhos e estamos em Leiria.
Em Leiria já começa a cheirar a Norte, a partir daqui a temperatura começa a baixar, há mais humidade e os Pinheiros, eucaliptos, vinhedos e outras plantas de cor verdes e que ladeiam as margens da auto-estrada indicam-nos que chove aqui com frequência, e como onde chove mais há mais riqueza, o dinheiro mora aqui!..
Há até uma máxima que diz:
Em Braga reza-se, no Porto trabalha-se, em Coimbra estuda-se, em Leiria chove e em Lisboa gasta-se o dinheiro…
A viagem vai viajando, já passamos Pombal e estamos a entrar em Coimbra.
Coimbra a terceira maior Cidade de Portugal onde mora o fado romântico e intelectual. Quando o oiço levantam-se-me os pêlos dos braços e não é do frio… é de gostar.
Coimbra terra de estudantes, com a sua velha Universidade desde 1307 e até 1911 a única em Portugal
Coimbra do Choupal e do Mondego, fonte de inspiração a cancioneiros, poetas e amores. Quem sabe se o amor proibido entre Inês de Castro e D. Pedro não foi invenção deste duo.
Coimbra terra de romances, segredos, mistérios, histórias e imaginários que fazem dela o que ela é, uma simpática, romântica e mítica Cidade. Eu adoro-a.
É tempo de fazer uma pausa para descontrair, encher os pulmões de ar que já se nota muito mais puro, beber uma bica para abrir o olho, porque a IP3 é estreitinha e há que estar atento.
Reiniciamos a nossa viagem e notamos com agrado que os automobilistas estão mais calmos. Não se vê tanto aquela agressividade de há uns tempos atrás em que o condutor que nos seguia, numa manifesta falta de tudo, se colava a nós nos disparava os máximos, como que a dizer “ desaparece da frente, quero passar mesmo que estivéssemos a cumprir o limite de velocidade ou a fazer uma ultrapassagem perfeita.
Já deixamos para trás Souselas e estamos na imponente Barragem da Aguieira, no Concelho se Penacova. Estamos bem dentro de uma zona de grande beleza natural.
A água dá sempre um toque mágico de beleza na paisagem e o majestoso lago pintado de azul pela sua água cristalina, enchem-nos os olhos de beleza. Aqui é possível pescar, fazer desportos Náuticos e naturalmente, nadar. O seu jardim está impecavelmente limpo e nas muitas árvores viçosas e jovens, esvoaçam piscos e verdelhões.
Seguimos a nossa viagem com enorme prazer. Aqui as paisagens são exuberantes e os nossos olhos estão extasiados com tanta beleza.
Chegamos a Tondela e aproveitamos para fazer uma visita aos Oleiros de Molelos. Estamos na terra do barro negro, sendo também as suas peças de igual cor, que é obtida através de um processo de cosedura redutora que permite obter barro de cor negro. Vale a pena uma visita e ver ao vivo os artesãos nas suas artes criativas. Há várias oficinas que são de fácil identificação. Ah, e já agora comprem uma peça porque são muito bonitas.
Deixamos Molelos com a arte dos artesãos ainda na mente e seguimos na direcção de Caparrosa, andamos uma meia hora e estamos a chegar a Vouzela com a Senhora do Castelo bem lá no cimo a dar-nos as Boas-vindas, descemos em direcção às Termas de S. Pedro do Sul com as suas águas milagreiras, o seu rio Vouga e as suas paisagens deslumbrantes de serras, encostas e vales, flores de trevo, orquídeas da montanha, papoilas, lírios do monte, giestas, mimosas, pinheiros, castanheiros e eucaliptos, tudo formando um colorido com predominação verde, próprio de climas de montanha.
Estamos quase em casa. Das Termas a S. Pedro do Sul é um salto de canguru e de S. Pedro a Lourosa a distância é sensivelmente igual.
A paisagem, essa continua a ser de uma beleza extraordinária, com destaque para quando saímos de S. Pedro para Lourosa, olhando para o lado direito. Lá estão de novo os vales, os pinhais, os terrenos cultivados com as suas plantações viçosas e o imenso casario disperso pela paisagem, mas a dominá-la, formando um quadro perfeito que só Miguel Ângelo ou a Mãe Natureza poderiam pintar com tanta perfeição e beleza.
Já se avistam as imponentes Serras de S. Macário, da Arada e da Gralheira, estamos quase a chegar ao nosso destino, a Lourosa, a terra que não me viu nascer, mas é minha por eleição.
Chegamos finalmente a Lourosa, o horário foi cumprido, o “Francês “portou-se á altura das exigências a viagem foi perfeita, outra coisa não seria de esperar dada a simpática companhia, da Rádio, da cara-metade e também da vossa.
Espero que tenham desfrutado tanto quanto eu desfrutei e que numa próxima oportunidade dêem cá um saltinho porque os Beirões sabem receber bem os seus turistas.
Eu prometo voltar para vos dar conta de outros passeios, estes já cá pela Serra e arredores como por exemplo S. Macário, Mizarela, Pedras parideiras, Aldeia da Pena, Fujaco e outros que aconteçam.
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