Durante muitos anos fomos comerciantes num Mercado Municipal da margem Sul do Tejo, onde tínhamos uma loja.
Este Mercado foi inaugurado nos anos oitenta e a sua construção era estilo Árabe, com vários arcos na sua fachada, que lhe davam um ar muito simpático e Arabesco.
Tinha três entradas principais, uma ao centro e duas laterais, uma de cada lado.
O acesso pelas entradas laterais era ligeiramente inclinado e á direita havia lojas, tais como: Tabacaria, Café, Talho e peixe congelado.
O lado esquerdo era uma cópia do lado direito, as lojas é que eram diferentes, havia: Churrasqueira, Minimercado, Talho, Padaria e Retrosaria.
Todas as lojas tinham uma grande janela, que estava dividida ao meio e se abria lateralmente.
Do lado de fora da nossa janela eu metia a nossa máquina de diversão, que não é mais nem menos do que aqueles brinquedos, que estão á porta das lojas e servem para as criancinhas se sentarem, deliciarem-se com uma viagem, acompanhada de música de acordo com a pequenada, enquanto as orgulhosas Mamãs fazem as compras em sossego.
A nossa máquina era um burrinho muito simpático, carregando dois pequenos barris de Tequila, que ia fazendo as delícias da pequenada, com a sua alegre música Mexicana, e nos ia dando algumas moedas de lucro.
Mas, a partir de determinada altura começaram a assaltar o burrinho Tequila, sempre durante a nossa ausência para almoço.
E os assaltos eram sempre iguais.
Com uma chave se parafusos pressionavam o moedeiro de lado, este abria-se e retiravam as moedas.
Eram sempre iguais, e semanais os assaltos, de tal modo que deu para ver que o “ artista “ vinha sempre às quartas-feiras.
E um dia resolvi espera-lo.
Numa quarta-feira abri a janela o suficiente para ver sem ser visto, e munido de um longo cacete sentei-me num banco á espera do “ artista. “
Não foi preciso esperar muito tempo para ver a chegada do larápio.
Era um jovem mulato, que eu conhecia de o ver de quando em quando lá por aqueles lados.
Lá vinha ele munido da chave de parafusos.
Ao chegar junto do burrinho, baixa-se para pressionar o moedeiro e nesse instante eu abro a janela e bato com o cacete em cima do burrinho, numa pancada suficientemente forte, para fazer um estrondo assustador, bem por cima da cabeça do “artista “ que deve ter apanhado o susto da vida dele!..
Levantou-se como que impulsionado por poderosas molas e pernas para que vos quero, enquanto eu me dirigia para a porta de saída da loja e corria também atrás dele, só que quando virei a esquina e o vi naquela corrida olímpica, já ele ia bem longe.
Ainda lhe gritei: Anda cá que tenho aqui umas moedas para te dar, mas duvido que ele tenha entendido.
Mas que deu resultado, lá isso deu, o nosso burrinho Tequila nunca mais ficou sem moedas.
Mário Miranda
Este Mercado foi inaugurado nos anos oitenta e a sua construção era estilo Árabe, com vários arcos na sua fachada, que lhe davam um ar muito simpático e Arabesco.
Tinha três entradas principais, uma ao centro e duas laterais, uma de cada lado.
O acesso pelas entradas laterais era ligeiramente inclinado e á direita havia lojas, tais como: Tabacaria, Café, Talho e peixe congelado.
O lado esquerdo era uma cópia do lado direito, as lojas é que eram diferentes, havia: Churrasqueira, Minimercado, Talho, Padaria e Retrosaria.
Todas as lojas tinham uma grande janela, que estava dividida ao meio e se abria lateralmente.
Do lado de fora da nossa janela eu metia a nossa máquina de diversão, que não é mais nem menos do que aqueles brinquedos, que estão á porta das lojas e servem para as criancinhas se sentarem, deliciarem-se com uma viagem, acompanhada de música de acordo com a pequenada, enquanto as orgulhosas Mamãs fazem as compras em sossego.
A nossa máquina era um burrinho muito simpático, carregando dois pequenos barris de Tequila, que ia fazendo as delícias da pequenada, com a sua alegre música Mexicana, e nos ia dando algumas moedas de lucro.
Mas, a partir de determinada altura começaram a assaltar o burrinho Tequila, sempre durante a nossa ausência para almoço.
E os assaltos eram sempre iguais.
Com uma chave se parafusos pressionavam o moedeiro de lado, este abria-se e retiravam as moedas.
Eram sempre iguais, e semanais os assaltos, de tal modo que deu para ver que o “ artista “ vinha sempre às quartas-feiras.
E um dia resolvi espera-lo.
Numa quarta-feira abri a janela o suficiente para ver sem ser visto, e munido de um longo cacete sentei-me num banco á espera do “ artista. “
Não foi preciso esperar muito tempo para ver a chegada do larápio.
Era um jovem mulato, que eu conhecia de o ver de quando em quando lá por aqueles lados.
Lá vinha ele munido da chave de parafusos.
Ao chegar junto do burrinho, baixa-se para pressionar o moedeiro e nesse instante eu abro a janela e bato com o cacete em cima do burrinho, numa pancada suficientemente forte, para fazer um estrondo assustador, bem por cima da cabeça do “artista “ que deve ter apanhado o susto da vida dele!..
Levantou-se como que impulsionado por poderosas molas e pernas para que vos quero, enquanto eu me dirigia para a porta de saída da loja e corria também atrás dele, só que quando virei a esquina e o vi naquela corrida olímpica, já ele ia bem longe.
Ainda lhe gritei: Anda cá que tenho aqui umas moedas para te dar, mas duvido que ele tenha entendido.
Mas que deu resultado, lá isso deu, o nosso burrinho Tequila nunca mais ficou sem moedas.
Mário Miranda
Comentários
Enviar um comentário